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  • Gilberto Marçal

The Guardian e Whashington Post denunciam que segunda onda de Covid-19, em Manaus, era evitável

Cientista Jesem Orellana emitiu 12 alertas desde agosto, pediu lockdown, mas foi ignorado pelas autoridades; o negacionismo no Amazonas também bateu à porta, aumentando a tragédia das mortes





O mundo denuncia que os atos criminosos do presidente de extrema direita Jair Bolsonaro [de minimizar a pandemia e ignorar a ciência] refletem nas mais de 200 mil mortes por covid no Brasil. Porém, apesar de tanto mau exemplo, o negacionismo também chegou ao Amazonas.


O epidemiologista da Fiocruz/Amazônia, Jesem Orellana, alertou o governo do Estado e a Prefeitura de Manaus, desde agosto, sobre a segunda onda da pandemia, em Manaus.


Naquele momento, o cientista pediu, com urgência, um lockdown.


O bloqueio total foi aceito pelo então prefeito Arthur Neto, mas o governador Wilson Lima descartou. De lá prá cá foram 12 alertas, todos recebidos com desdém pelas autoridades sanitárias do estado.




Mas, a voz do cientista ecoou em diversas regiões do planeta, denunciando, o que ele chama, de uma das mais dramáticas experiências de má gestão na epidemia de Covid-19.


O The Guardian, The Washington Post, a francesa RFI”, o The Intercept, o ElPais e a norte-americana NPR foram alguns dos veículos internacionais que reforçam, em suas reportagens, o que Jesem Orellana tinha dito há meses sobre Manaus, com mortes que poderiam ter sido evitadas.


Outras mídias científicas, como as prestigiadas e mundialmente reconhecidas “The Scientist”, “Nature” e “The British Medical Journal”, também retrataram a mesma preocupação exposta pelo epidemiologista, da letargia das autoridades estaduais na capítal.


“No entanto, o curioso é que mesmo tendo alertado as autoridades sanitárias com enorme antecedência (agosto de 2020) sobre a tragédia que nos aguardava, só mais recentemente a imprensa brasileira parece ter se convencido que estávamos mesmo na segunda onda de contágio e mortalidade por COVID-19 em Manaus. Um caminho sem volta e letal”, afirmou Orellana.


Somente os oito primeiros dias de janeiro já somam 256 mortes, o que representa mais que o dobro dos óbitos ocorridos nos meses de julho (121 mortes) e agosto (123 mortes) de 2020, que totalizando 244. É o que aponta os dados da Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas.


Para o epidemiologista da Fiocruz em vez da abertura de leitos, o governo deveria ter se preocupado com a prevenção lá atrás, o que mostra os sucessivos erros de estratégias adotadas na pandemia.


“Mas, o pior é que nossas recomendações seguem sendo ignoradas e desqualificadas por diversos atores da classe política, empresarial, de instituições de ensino/pesquisa (incluindo a própria FIOCRUZ) e, sobretudo, por agentes públicos responsáveis pela gestão da epidemia no Amazonas. Enquanto isso, seguimos abrindo covas, leitos de UTI e contando mortos. É assim que o laboratório a céu aberto Manaus vai novamente horrorizando a humanidade, no que pode ser um dos mais emblemáticos casos de impunidade e de má gestão nesta pandemia”, concluiu o epidemiologista da Fiocruz/Amazônia.


Fonte:DeAmazônia

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