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Tarifas de Trump ameaçam devastar setor cítrico brasileiro

  • gilbertosantosmarc
  • 24 de jul. de 2025
  • 2 min de leitura
Taxa de importação de 50% pode paralisar colheitas, elevar preços nos EUA e deixar produtores de laranja brasileiros sem saída.
Trabalhador colhe laranjas em uma fazenda em Formoso – Minas Gerais – 16-07-2025 – Foto: Adriano Machado/Reuters
Trabalhador colhe laranjas em uma fazenda em Formoso – Minas Gerais – 16-07-2025 – Foto: Adriano Machado/Reuters

A proposta do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de aplicar uma tarifa de 50% sobre todos os produtos brasileiros a partir de 1º de agosto está gerando alarme no setor cítrico do Brasil. A medida pode afetar drasticamente as exportações de suco de laranja, prejudicando produtores e processadores, e elevando os preços para os consumidores norte-americanos.


O Brasil, maior exportador mundial de suco de laranja, fornece cerca de 42% do produto consumido nos EUA, movimentando um mercado de US$ 1,31 bilhão na última safra encerrada em junho. Com a nova tarifa, esse fluxo pode ser interrompido, forçando indústrias a reduzirem a produção e agricultores a deixarem frutas apodrecerem nas árvores.


“Você não vai gastar dinheiro para colher e não ter para quem vender”, disse Fabrício Vidal, produtor em Formoso (MG), refletindo o clima de incerteza no campo.


Impacto direto nos consumidores americanos


A situação também preocupa os consumidores dos EUA, que enfrentam uma das maiores dependências externas de suco de laranja da história. De acordo com o Departamento de Agricultura dos EUA, 90% do suco consumido no país será importado até setembro, diante de uma colheita doméstica em queda devido a doenças, furacões e geadas.


Marcas populares como Tropicana, Minute Maid e Simply Orange, que dependem fortemente do suco brasileiro, podem repassar o aumento de custos ao consumidor. Empresas como Coca-Cola e PepsiCo, que dominam cerca de 60% do mercado americano de sucos, ainda não comentaram oficialmente a medida.


A nova tarifa representaria um salto de 533% em relação ao imposto atual, que é de US$ 415 por tonelada. A Johanna Foods, distribuidora de sucos em Nova Jersey, entrou na Justiça na última semana contra a medida, alegando risco de “danos financeiros significativos” à empresa e aos consumidores.


Brasil com poucas alternativas comerciais


Para os exportadores brasileiros, o cenário é desafiador. Segundo Ibiapaba Netto, diretor executivo da associação CitrusBR, não há alternativas rápidas para redirecionar o suco a outros mercados. Países com renda mais baixa, como China e Índia, não têm o mesmo potencial de compra, enquanto a União Europeia já absorve 52% das exportações brasileiras.


Embora exista a prática de “triangulação” — enviar o suco via Costa Rica para escapar das tarifas —, especialistas apontam que isso pode não ser viável com as novas regras. Além disso, a OCDE proíbe esse tipo de manobra comercial.


“O setor não tem uma saída fácil”, afirmou o consultor Arlindo de Salvo, especialista em citricultura.


Produtores no Brasil sentem o golpe antes mesmo da tarifa


Mesmo antes da aplicação oficial da tarifa, o impacto já é sentido no Brasil. O preço da caixa de laranja caiu para R$ 44, quase metade do valor registrado há um ano, segundo dados do Cepea/USP. Isso está tornando a colheita economicamente inviável para muitos produtores.


“Já estamos colhendo prejuízo. Se não abrirmos novos mercados rapidamente, pode ser o fim de muitas fazendas”, alertou o agricultor Ederson Kogler.


 
 
 

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©2020 por Gilberto Marçal. 

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