Morre Bira Presidente, fundador do Cacique de Ramos e do Fundo de Quintal, aos 88 anos
- gilbertosantosmarc
- 15 de jun. de 2025
- 2 min de leitura
Ícone do samba revolucionou as rodas com o Fundo de Quintal e projetou grandes nomes do gênero Destaque: Criador de sucessos e estilo marcante no pandeiro, Bira Presidente deixa legado imenso para o samba brasileiro. Fundador do Cacique de Ramos, ajudou a revelar artistas como Zeca Pagodinho, Arlindo Cruz e Almir Guineto.

O samba perdeu neste sábado (14) um de seus maiores símbolos: Bira Presidente, fundador do tradicional bloco Cacique de Ramos e um dos criadores do grupo Fundo de Quintal, morreu aos 88 anos, no Hospital da Unimed Ferj, na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio. O artista lutava contra um câncer de próstata e o mal de Alzheimer.
A informação foi confirmada por meio de comunicado oficial publicado nas redes sociais do Cacique de Ramos e do Fundo de Quintal. O texto exaltou a trajetória de Bira, marcada pela ética, firmeza e imensa contribuição à cultura popular brasileira:
“Sua atuação no Cacique de Ramos moldou o bloco e o samba. O Doce Refúgio se tornou um espaço de referência cultural. No Fundo de Quintal, foi o ponto de partida de uma linguagem que redefiniu a roda de samba e inspirou gerações”.
Legado que atravessa gerações
Ubirajara Félix do Nascimento nasceu no Rio de Janeiro e desde cedo se envolveu com o samba. Ainda criança, encantou-se pelo pandeiro e pela cultura das rodas. Foi batizado na Estação Primeira de Mangueira aos 7 anos e, aos 24, fundou em 20 de janeiro de 1961 o Grêmio Recreativo Cacique de Ramos — hoje uma das instituições mais respeitadas da cultura carioca.

O Cacique de Ramos revelou grandes nomes da música brasileira, como Zeca Pagodinho, Arlindo Cruz, Jorge Aragão e Almir Guineto, entre outros. No fim dos anos 1970, Bira foi um dos idealizadores do Fundo de Quintal, grupo que inovou a sonoridade do samba com instrumentos como o tantã, o repique de mão e o banjo — criando uma nova estética rítmica e influenciando toda uma geração.
Reconhecimento e homenagens
Além da música, Bira também teve carreira na administração pública, mas deixou o cargo para se dedicar exclusivamente ao samba. Em 2015, foi homenageado com a Medalha Pedro Ernesto, maior honraria concedida pela Câmara Municipal do Rio. No ano seguinte, foi destaque no enredo “A Ópera dos Malandros”, da Acadêmicos do Salgueiro.
Sua trajetória foi retratada no livro “O Patuá Tamarindo”, de Paulo Guimarães, lançado em 2019. Nos últimos meses, o músico estava afastado dos palcos devido ao agravamento de sua saúde e não participou da recente turnê internacional do Fundo de Quintal nem das festividades do último Carnaval.

Despedida
Bira deixa duas filhas, Karla Marcelly e Christian Kelly, dois netos, Yan e Brian, e a bisneta Lua. Os detalhes sobre o velório e o sepultamento ainda não foram divulgados.
O samba agradece por uma vida dedicada à música, à cultura popular e à valorização da identidade brasileira. Bira Presidente parte, mas sua batida no pandeiro continuará ecoando nas rodas e nos corações.







Comentários