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Estudos revelam pressão da indústria e ampliam alerta global sobre riscos dos ultraprocessados

  • gilbertosantosmarc
  • 22 de nov. de 2025
  • 3 min de leitura

Publicados na revista The Lancet, três novos estudos reforçam ligação entre ultraprocessados e doenças crônicas, apontam estratégias de influência de grandes empresas e defendem medidas urgentes para reduzir o consumo desses produtos.


Pesquisadores denunciam influência da indústria alimentícia e reforçam riscos dos ultraprocessados

Abrir mão de produtos industrializados passa a ser fundamental, especialmente para as crianças – Foto: Reprodução


Uma nova série de estudos divulgada pela revista científica The Lancet reacendeu o debate sobre os riscos dos alimentos ultraprocessados e sobre o papel da indústria na tentativa de desacreditar evidências científicas. Os trabalhos apontam que esses produtos representam uma ameaça concreta à saúde pública e já dominam a dieta de muitos países.


Durante a apresentação dos resultados, o médico Chris van Tulleken afirmou que grandes corporações usam “táticas semelhantes às da indústria do tabaco” para criar dúvidas sobre os danos causados pelos ultraprocessados. Segundo ele, a estratégia inclui financiar pesquisas que minimizam riscos e pressionar governos para impedir regulamentações.


Os estudos chegam em um momento de crescente preocupação com o aumento de doenças crônicas associadas à alimentação industrializada. Embora exista debate sobre a definição exata de ultraprocessados, pesquisadores defendem que as evidências já são suficientes para justificar políticas públicas agressivas de contenção.


Sistema NOVA e destaque brasileiro


Entre os autores está o epidemiologista brasileiro Carlos Monteiro, criador da classificação NOVA — modelo adotado por diversos países para categorizar alimentos conforme seu grau de processamento. A classificação divide os produtos em quatro grupos e define ultraprocessados como formulações industriais que combinam ingredientes artificiais, aditivos, açúcares e gorduras de baixa qualidade.


Embora o sistema sofra críticas, principalmente por classificar como ultraprocessados itens que podem ter uso nutricional positivo, como alguns pães ou leites vegetais, os pesquisadores afirmam que tais divergências são amplificadas pela própria indústria para dificultar avanços regulatórios.


Ultraprocessados já dominam a dieta em países ricosUltraprocessados já dominam a dieta em países ricos



Outro estudo da série mostra que ultraprocessados representam mais de 50% das calorias consumidas nos Estados Unidos e no Reino Unido. Esse padrão, segundo os autores, tem avançado rapidamente em países de baixa e média renda — inclusive no Brasil.


O terceiro estudo analisa a atuação das maiores empresas do setor alimentício, como Nestlé, PepsiCo, Coca-Cola, Unilever, Danone e Mondelez. Os pesquisadores apontam que, por décadas, essas companhias investiram fortemente na promoção de produtos de baixa qualidade nutricional, principalmente entre crianças.


Medidas urgentes recomendadas


Os autores defendem que governos adotem medidas imediatas, como proibição de publicidade infantil, taxação de ultraprocessados e programas para incentivar o consumo de alimentos frescos entre populações vulneráveis.


Especialistas independentes reconhecem limitações metodológicas, mas concordam que o impacto dos ultraprocessados na saúde pública já é significativo demais para ser ignorado. Eles alertam que crianças e famílias de baixa renda são os grupos que mais sofrem as consequências do consumo frequente desses produtos.



Lista dos ultraprocessados mais nocivos à saúde


  • Refrigerantes e bebidas açucaradas


  • Snacks salgados de pacote (chips e similares)


  • Biscoitos recheados e confeitaria industrializada


  • Fast food e refeições prontas congeladas


  • Embutidos (salsicha, mortadela, presunto industrializado, salame)


  • Pães e bolos industrializados com aditivos


  • Cereais matinais açucarados


  • Sobremesas lácteas industrializadas (iogurtes aromatizados, gelatinas artificiais)


  • Margarinas e cremes vegetais ultraprocessados


  • Produtos “diet”, “light” ou “zero” com adoçantes e aromatizantes


Lista especial: ultraprocessados mais prejudiciais para crianças


  • Refrigerantes, sucos de caixinha e bebidas adoçadas


  • Salgadinhos de pacote


  • Biscoitos recheados e wafers


  • Bolinhos industrializados e bolos prontos


  • Nuggets, salsichas e outros embutidos


  • Cereais matinais com alto teor de açúcar


  • Iogurtes com corantes e sobremesas lácteas artificiais


  • Balas, pirulitos, chocolates ultraprocessados


  • Pães doces industrializados e bisnaguinhas com açúcar


  • Macarrão instantâneo, mini-pizzas e refeições prontas congeladas


Ter uma alimentação equilibrada, saudável, com variedade de cores para contemplar todas as vitaminas e minerais necessários favorece o crescimento físico e intelectual das crianças, além de proteger contra infecções.


Com informações da Revista The Lancet, BBC e RFI




 
 
 

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©2020 por Gilberto Marçal. 

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