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Endividamento atinge 87,2% das famílias em Manaus e bate novo pico no início de 2026

  • gilbertosantosmarc
  • há 4 horas
  • 5 min de leitura

Levantamento da CNC aponta alta na inadimplência e maior pressão sobre a renda; cartão de crédito segue como principal fonte de dívida na capital.


Cartão de crédito é a principal forma de endividamento das famílias brasileiras, segundo a CNC – Foto: Reprodução
Cartão de crédito é a principal forma de endividamento das famílias brasileiras, segundo a CNC – Foto: Reprodução

O endividamento das famílias em Manaus voltou a crescer na virada do ano e alcançou o maior patamar da série recente. Dados da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), divulgada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo, mostram que 616.956 famílias da capital amazonense — o equivalente a 87,2% do total — estavam com contas a vencer em janeiro de 2026.


O percentual supera dezembro de 2025 (86,6%) e também janeiro do ano passado (81,6%). Em média, o manauara compromete 34,1% da renda com dívidas e precisa de cerca de 28 semanas para quitar todos os compromissos financeiros.


A inadimplência também avançou. O número de famílias com contas em atraso subiu de 47,4% em dezembro para 48,9% em janeiro. Na comparação anual, o aumento é ainda mais expressivo, já que em janeiro de 2025 o índice era de 41,4%. O tempo médio de atraso chega a 65 dias.


Já o grupo de famílias que declara não ter condições de pagar as dívidas representa 18,1% do total. Embora tenha crescido em relação a dezembro, o percentual ainda é inferior ao registrado no mesmo período do ano anterior.


Cartão lidera ranking das dívidas


O cartão de crédito permanece como principal vilão do endividamento em Manaus, respondendo por 73,9% das dívidas. Apesar de leve recuo frente a dezembro, o instrumento continua predominante entre todas as faixas de renda.


Segundo levantamento da Associação Nacional de Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade, o cartão segue como a modalidade mais cara do país, com juros médios de 15,22% ao mês, o equivalente a 447,44% ao ano.


Os carnês aparecem na segunda posição, com 54,6% de participação, sendo mais comuns entre consumidores de menor renda. Outras modalidades citadas incluem crédito pessoal (21,5%), consignado (11,7%), financiamento de veículos (9,2%) e financiamento imobiliário (2,1%). O cheque especial responde por 2,3% das dívidas.


Perfil do endividamento


A parcela de consumidores que se considera “muito endividada” subiu de 18,4% para 19,3%, com maior incidência entre famílias de menor renda. Já 40% se classificam como “pouco endividados”, enquanto 28% afirmam estar “mais ou menos endividados”.


Entre os inadimplentes, 56% dos endividados já possuem contas em atraso. Apenas 17,5% acreditam que conseguirão quitar integralmente os débitos no próximo mês. Quase metade das famílias com dívidas atrasadas (49,2%) acumula pendências superiores a 90 dias.


Quase 8 em cada 10 lares estão endividados. Mais de 30% têm contas em atraso. Boa parte admite não ter como pagar – Foto: Reprodução
Quase 8 em cada 10 lares estão endividados. Mais de 30% têm contas em atraso. Boa parte admite não ter como pagar – Foto: Reprodução

Cenário nacional e expectativa para juros


No cenário nacional, o endividamento também avançou de 78,9% em dezembro para 79,5% em janeiro, atingindo recorde da série histórica iniciada em 2010, segundo a CNC. Em contrapartida, o percentual de famílias que afirmam não ter condições de pagar caiu para 12,7%.


Para o presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros, o retorno ao recorde exige cautela, especialmente diante do patamar elevado da taxa básica de juros. A entidade projeta que o endividamento continue crescendo no primeiro semestre, impulsionado pela necessidade de manutenção do consumo.


A expectativa do mercado é de possível flexibilização da política monetária nas próximas reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom), o que poderia aliviar o custo do crédito ao consumidor ainda no segundo trimestre.


Enquanto isso, especialistas alertam que o cenário em Manaus indica consumo mais dependente de crédito no curto prazo, mas com risco crescente de inadimplência, exigindo maior cautela tanto de consumidores quanto de empresários.


Cenário nacional


A inadimplência também apresenta forte recorte social. Nos domicílios com renda de até três salários mínimos, 38,9% das famílias têm contas atrasadas. Entre aquelas com renda superior a dez salários mínimos, o percentual cai para 14,9%. O tempo médio de atraso é de 64,8 dias, e 12,7% dos entrevistados afirmaram não ter condições de quitar os débitos vencidos.


A CNC avalia que o elevado nível da taxa básica de juros, a Selic, atualmente em 15% ao ano — o maior desde julho de 2006 —, dificulta a amortização das dívidas e pressiona o orçamento das famílias. O patamar elevado dos juros encarece o crédito e restringe o consumo, em um contexto de combate à inflação.


Para os próximos meses, a entidade projeta que o endividamento das famílias seguirá em alta no primeiro semestre, podendo alcançar 80,4% em junho. Já a inadimplência deve recuar para cerca de 28,9% no mesmo período, influenciada pela expectativa de queda da Selic a partir de março, conforme sinalizações do Banco Central.


Especialistas orientam como estabilizar dívidas familiares e fortalecer a economia


Diante do avanço do endividamento das famílias brasileiras, economistas defendem um conjunto de medidas práticas para reorganizar as finanças domésticas e, ao mesmo tempo, contribuir para um ambiente econômico mais equilibrado e sustentável.


Segundo análises divulgadas pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo, o crédito tem sido utilizado como ferramenta para manter o padrão de consumo, mas o uso excessivo, especialmente em modalidades com juros elevados, aumenta o risco de inadimplência e compromete a renda futura das famílias.


📌 Organização financeira é o primeiro passo


Especialistas recomendam que as famílias iniciem o processo de estabilização com um diagnóstico completo da situação financeira:


  • Listar todas as dívidas (valor total, juros e prazo).

  • Identificar quais possuem juros mais altos.

  • Calcular o percentual da renda comprometido mensalmente.


A prioridade deve ser a quitação ou renegociação das dívidas mais caras, como cartão de crédito e cheque especial. De acordo com a Associação Nacional de Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade, essas modalidades costumam apresentar as maiores taxas de juros do mercado.


📌 Renegociação e troca de crédito


Economistas orientam substituir dívidas com juros elevados por modalidades mais baratas, como crédito consignado ou linhas com garantia, quando possível. A renegociação direta com bancos e credores também pode resultar em descontos, alongamento de prazo e redução de encargos.


Programas de renegociação promovidos por instituições financeiras e órgãos de defesa do consumidor também são alternativas importantes para evitar que dívidas evoluam para situações de insolvência.


📌 Criação de reserva de emergência


Outro ponto considerado essencial é a formação de uma reserva financeira equivalente a pelo menos três a seis meses de despesas fixas. Essa prática reduz a dependência do crédito em situações imprevistas, como perda de renda ou despesas médicas.


Mesmo com orçamento apertado, especialistas sugerem iniciar com pequenas quantias mensais, priorizando a constância.


📌 Educação financeira e consumo consciente


A mudança de comportamento é vista como fator decisivo. Planejamento de compras, comparação de preços e adiamento de aquisições não essenciais ajudam a evitar o endividamento recorrente.

Além disso, economistas defendem maior investimento em educação financeira nas escolas e campanhas públicas de orientação, para que o consumidor compreenda melhor o impacto dos juros compostos e do crédito rotativo.


📌 Impacto na economia


A estabilização das finanças familiares tem reflexos diretos na economia. Com menor inadimplência, o sistema financeiro reduz riscos, o crédito tende a se tornar mais acessível e o consumo passa a ocorrer de forma mais sustentável.


Especialistas também apontam que o controle da inflação e uma política monetária equilibrada — conduzida pelo Banco Central do Brasil — são fundamentais para reduzir o custo do crédito e estimular investimentos produtivos.


Em síntese, a combinação entre responsabilidade individual, acesso a crédito mais barato e políticas econômicas consistentes é considerada o caminho mais seguro para restaurar o equilíbrio financeiro das famílias e fortalecer o crescimento econômico no médio e longo prazo.



 
 
 

©2020 por Gilberto Marçal. 

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