CPMI do INSS entra no campo político e mira ex-ministros de Lula e Bolsonaro
- gilbertosantosmarc
- 8 de set. de 2025
- 5 min de leitura
Após ouvir técnicos, comissão inicia semana decisiva com depoimentos de Carlos Lupi e José Carlos Oliveira; suspeitas de omissão e quebra de sigilo bancário ampliam tensão em Brasília.

A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga fraudes no INSS entra em nova fase nesta semana e passa a focar no campo político, com o interrogatório de ex-ministros da Previdência Social dos governos Lula e Bolsonaro.
Nesta segunda-feira (8), o ex-ministro Carlos Lupi (PDT), atual presidente do partido e chefe da pasta durante o governo Lula, será ouvido pelos parlamentares. Já na quinta-feira (11), é a vez de José Carlos Oliveira, que ocupou o cargo na gestão de Jair Bolsonaro (PL) e atualmente se apresenta como Ahmed Mohamad Oliveira Andrade.
A oitiva dos ex-ministros faz parte de um acordo entre governo e oposição, que decidiram convocar — em formato de convite — todos os ex-titulares da Previdência entre 2015 e 2025, período em que o esquema de descontos ilegais contra aposentados e pensionistas será investigado pela comissão.
Lupi já havia prestado esclarecimentos em comissões da Câmara e do Senado, após a deflagração da Operação Sem Desconto, em abril deste ano. Na ocasião, ele admitiu ter conhecimento dos descontos indevidos, mas afirmou que só teve acesso às informações completas após o fim do sigilo das investigações.
“Só tive conhecimento dessa ação da CGU depois que foi deflagrada. Até pelo caráter que ela tinha de sigilo”, disse Lupi à época. À CNN, ele declarou estar com a “consciência e alma tranquilas” para o depoimento.
Parlamentares, no entanto, apontam omissão. O deputado Marcel van Hattem (Novo-RS), integrante da CPMI, afirmou que Lupi “prevaricou ao não adotar providências” para conter os descontos irregulares. Ele também lembrou que Lupi foi demitido do governo Dilma por suspeitas de irregularidades envolvendo convênios com ONGs.
Ex-ministro de Bolsonaro pode ter sigilo bancário quebrado
O ex-ministro José Carlos Oliveira também está na mira da comissão. Um requerimento apresentado pelo senador Izalci Lucas (PL-DF) pede a quebra de seu sigilo bancário e telemático. Segundo o parlamentar, o pedido se baseia em elementos “concretos e perturbadores” apontados pela Polícia Federal, e a obtenção do RIF (Relatório de Inteligência Financeira) do Coaf é vista como “indispensável” para aprofundar a investigação.

O requerimento ainda aguarda votação na CPMI.
Depoimentos revelam ciência prévia de órgãos públicos
Depoimentos recentes à CPMI apontam que diferentes órgãos já tinham ciência dos problemas. A diretora de Auditoria da CGU, Eliane Veiga Mota, afirmou que desde 2014 existiam acordos entre o INSS e entidades hoje investigadas, mesmo com pareceres contrários à renovação desses convênios.
Ela destacou falhas de fiscalização: “A supervisão e o acompanhamento dos ACTs [Acordos de Cooperação Técnica] são responsabilidade do INSS”, afirmou. Segundo a CGU, a Dataprev tinha estrutura tecnológica para controle, mas não havia checagem das autorizações para descontos, o que facilitava a fraude.
Outro destaque veio da Defensoria Pública da União. A defensora Patrícia Bettin revelou que o grupo de trabalho que investigava os descontos ilegais foi extinto pelo Ministério Público Federal em julho, sem justificativa formal.
Empresários envolvidos serão ouvidos na próxima semana
Além dos ex-ministros, dois empresários ligados ao esquema devem depor. Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, será ouvido em 15 de setembro. Ele é apontado como operador central da fraude, movimentando cerca de R$ 53 milhões.

Já Maurício Camisotti, que depõe no dia 18, é ligado a empresas que, segundo a PF, receberam milhões em recursos irregulares do INSS por meio de associações fraudulentas.
CPI do INSS aprova requerimentos que miram Frei Chico, irmão do presidente Lula
Integrantes da CPI dizem que esse requerimento pode servir para encontrar digitais do irmão de Lula no esquema fraudulento de descontos associativos de aposentados.

Entenda o escândalo: prejuízo estimado em R$ 6,3 bilhões
A fraude envolvendo descontos não autorizados em aposentadorias e pensões ganhou repercussão nacional em abril deste ano com a Operação Sem Desconto, coordenada pela Polícia Federal e CGU. A estimativa é de que até R$ 6,3 bilhões tenham sido desviados entre 2019 e 2024.
Auditorias revelaram que quase 98% dos entrevistados não autorizaram os descontos. Assinaturas foram falsificadas para justificar repasses a entidades que alegavam prestar serviços que, segundo os beneficiários, nunca foram contratados.
A maior parte do valor desviado — cerca de 60% — foi movimentada durante o atual governo Lula, segundo a PF.
Escândalo das Fraudes
2014
Acordos de Cooperação Técnica (ACTs): Início de parcerias entre o INSS e entidades que mais tarde seriam investigadas por irregularidades em descontos nos benefícios de aposentados e pensionistas.
2015–2025
Período de investigação: O período de 2015 a 2025 é estabelecido pela CPMI para investigar fraudes envolvendo descontos indevidos no INSS. Isso abrange os governos de Dilma Rousseff (2º mandato), Michel Temer, Jair Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva.
Abril de 2025
Operação Sem Desconto: A Polícia Federal (PF) e a Controladoria-Geral da União (CGU) deflagram a operação para investigar fraudes nos descontos aplicados aos aposentados e pensionistas do INSS. A fraude resultou em desvios de até R$ 6,3 bilhões.
Frei Chico: Mencionado como uma figura simbólica no contexto de familiares próximos ao poder. Irmão do presidente, Frei Chico, apesar de sua vida religiosa, tem sido figura de apoio político dentro da estrutura de poder, sendo ele também uma voz importante dentro do PT.
Agosto de 2025
Depoimento da defensora pública Patrícia Bettin: Ela menciona a extinção do grupo de trabalho interinstitucional (GTI) que investigava as fraudes no Ministério Público Federal (MPF), sem explicações claras sobre a decisão.
Setembro de 2025
8 de setembro: A CPMI avança com a oitiva de ex-ministros. O ex-ministro Carlos Lupi é chamado para depor sobre a fraude no INSS, ele admite que sabia dos descontos irregulares, mas alegou que houve “descontrole” no INSS.
11 de setembro: O ex-ministro José Carlos Oliveira, responsável pela Previdência durante o governo de Jair Bolsonaro, será ouvido. Ele é alvo de um pedido para quebra de sigilo bancário devido a indícios de irregularidades.
15 de setembro:
Oitiva de Antônio Carlos Camilo Antunes (“Careca do INSS”): Empresário envolvido em um esquema de desvios, sendo considerado operador central das fraudes. Ele será interrogado sobre sua atuação.
18 de setembro:
Oitiva de Maurício Camisotti: Empresário suspeito de envolvimento com associações fraudulentas que receberam recursos irregulares do INSS.
Elementos Importantes:
Fraudes no INSS: O golpe consistia em descontos ilegais sobre as aposentadorias e pensões, movimentando recursos para entidades que alegavam oferecer serviços, como assistência jurídica e saúde, mas que na realidade não existiam ou não eram contratados pelos beneficiários.
Frei Chico: O nome de Frei Chico, irmão do presidente, surge em várias investigações e discussões políticas, sendo uma figura que ao longo dos anos teve papel de apoio dentro de uma rede de poder. A relação de Frei Chico com o esquema de corrupção não é especificamente detalhada no texto, mas sua presença política como membro de uma família ligada ao poder influencia discussões em torno de figuras políticas em momentos de investigação.







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